Há ironias políticas que fariam rir, se não fossem tão reveladoras. Uma delas é assistir a certos sectores da UNITA, outrora um movimento de libertação com discurso soberano, a transformarem-se em fãs entusiasmados de agendas importadas da extrema-direita europeia, como se Angola fosse apenas uma extensão suburbana da política portuguesa.
De repente, surgem “analistas” improvisados, "militontos" digitais de ocasião e defensores fervorosos de figuras como André Ventura, líder do CHEGA, um partido cuja retórica política dificilmente teria espaço para muitos dos seus próprios apoiantes africanos, caso estes fossem apenas mais um rosto na fila da imigração aí na avenida de Portugal em Luanda. Mas nas redes sociais tudo é possível e a contradição vira coragem e a submissão ideológica passa por lucidez estratégica, tudo porque o "pula" lá da "Tuga" não tolera os gatunos do MPLA.
No centro deste fenómeno está uma certa elite luso-bujurra-angolano que tentou redesenhar a identidade do maior partido da oposição, afastando-a da sua raiz histórica angolana para a aproximar de discursos importados, embalados como se fossem sinal de modernidade política. O resultado? Uma base militante barulhenta, repetitiva e cada vez mais desligada das preocupações reais dos angolanos, os famosissimos “combatentes de teclado” ou milicianos digitais como se queira, sempre prontos para a guerra virtual, mas silenciosos quando a realidade política bate à porta.
E o silêncio de hoje nas redes sociais? Não é um acaso. É o eco de uma derrota estrondosa de André Ventura ontem em Portugal. O esvaziamento do novo "mito", o cansaço da narrativa, a queda do “discípulo” que prometia regeneração moral e acabou prisioneiro das próprias contradições e punido nas urnas pelos portugueses de bem. Quando o líder perde aura, os seguidores perdem voz. E quando o marketing político se desfaz, resta apenas o embaraço colectivo (Savimbi deve estar a se revirar na tumba lá em Lopitanga).
O problema não é a UNITA ser de direita ou de esquerda, afinal os partidos evoluem, ideias mudam. O problema é transformar a oposição angolana numa sucursal ideológica de agendas estrangeiras que pouco compreendem a realidade histórica, social e cultural do nosso país e do nosso povo. Uma coisa é cooperação internacional; outra bem diferente é trocar a soberania intelectual por aplausos importados.
A quem serve esta transformação do Galo-Negro? Ao povo angolano que precisa de propostas sérias e enraizadas na sua realidade ou a um pequeno círculo que prefere parecer moderno lá fora, mesmo que isso signifique perder o rumo cá dentro?
Pronto! Falei mbora...
Artur Cussendala Segunda, 09FEV2026






