Angola Kwia
Descreve Angola na adversidade e no plural, suas gentes, hábitos e costumes e não só. Sem filosofar e sem estrias nem sofismas, aqui você acompanha Angola e os angolanos no seu melhor.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
SERÃO ELES?! ONDE ANDAM AS "BÓFIAS"?
domingo, 9 de agosto de 2026
A CULPA NÃO PODE MORRER SOLTEIRA
domingo, 31 de maio de 2026
A ÉBOLA...
segunda-feira, 25 de maio de 2026
TRUMP A INTERFERIR NO QUOTIDIANO DOS LUANDENSES
sábado, 23 de maio de 2026
TESTE DE SOFÁ
EU TAMBÉM SOU HOMEM E ESTOU COM O DIKOTA.
Antes de se condenar alguém na praça pública, é preciso separar moralismo, inveja e justiça. Pelos vídeos colocados a circular por pessoas de má-fé nas redes sociais, vêem-se mulheres adultas, sem sinais visíveis de coação ou violência, e até ao momento não existe qualquer denúncia formal de estupro ou abuso sexual.
O verdadeiro problema aqui parece ser a divulgação ilegal de conteúdos íntimos, expondo a privacidade de pessoas adultas. Transformar isso num tribunal popular apenas revela hipocrisia social e sede de escândalo.
Quanto ao local dos encontros, ainda que se trate de um gabinete ou de um espaço ligado a uma instituição, isso pode configurar, no máximo, uma infração administrativa ou ética interna, e não necessariamente um crime. E se for um espaço privado do visado, então entra-se no domínio da vida pessoal, onde cada adulto responde pelos seus actos e escolhas.
Vivemos numa sociedade onde muitos fingem santidade em público, mas fazem o contrário em privado. É preciso parar com o julgamento selectivo e com a cultura de humilhação pública. Respeitem o senhor e respeitem igualmente as mulheres envolvidas. Nem tudo o que choca os moralistas constitui crime.
Os hábitos e excessos das elites podem não agradar a todos, mas cada um deve analisar os factos com equilíbrio e maturidade, evitando condenações baseadas apenas em emoções, inveja ou preconceito.
Artur Cussendala - SÁBADO 23MAI 2026
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terça-feira, 19 de maio de 2026
João Lourenço e a oportunidade perdida de Angola
Desde a independência nacional, Angola atravessou diferentes ciclos políticos e económicos que moldaram profundamente a vida do seu povo. Alguns períodos ficaram marcados pela guerra, outros pela reconstrução nacional e pelo crescimento acelerado impulsionado pelo petróleo. Contudo, o consulado de João Lourenço corre o risco de ser lembrado como uma das fases de maior frustração colectiva da Angola pós-guerra.
Quando João Lourenço chegou ao poder, em 2017, muitos angolanos alimentaram expectativas legítimas de mudança. O combate à corrupção, a promessa de moralização das instituições, a abertura económica e a tão anunciada diversificação da economia surgiam como sinais de uma nova era. O país parecia finalmente pronto para abandonar a excessiva dependência do petróleo e construir bases sólidas para um desenvolvimento sustentável.
Entretanto, quase uma década depois, o sentimento predominante em largos sectores da sociedade é de desencanto.
A economia angolana permanece vulnerável, frágil e excessivamente dependente do crude. A diversificação económica transformou-se num slogan político repetido em discursos oficiais, mas com resultados pouco visíveis na vida concreta da população. Agricultura, indústria transformadora, turismo e produção nacional continuam incapazes de gerar o impacto estrutural prometido ao país.
Enquanto isso, os cidadãos enfrentam diariamente o aumento do custo de vida, o desemprego juvenil, a degradação do poder de compra e o crescimento das desigualdades sociais. Em muitas famílias angolanas, a esperança de prosperidade deu lugar ao sentimento de sobrevivência permanente.
Paradoxalmente, Angola entrou neste período sem o peso destrutivo da guerra civil. Era suposto que o país, décadas após o conflito armado, estivesse numa fase de consolidação económica e expansão social comparável a outras economias africanas emergentes. Mas isso não aconteceu na dimensão esperada.
A percepção de muitos cidadãos é que o país perdeu tempo precioso. Houve reformas, sim, mas frequentemente lentas, contraditórias ou insuficientes para produzir transformação profunda. O combate à corrupção, inicialmente visto como um marco histórico, acabou também envolvido em acusações de selectividade política, alimentando divisões e desconfiança no sistema.
No plano internacional, a chamada diplomacia económica igualmente produziu resultados limitados. Apesar das inúmeras cimeiras, fóruns e aproximações diplomáticas, Angola continua distante dos grandes centros de influência económica global e com reduzida capacidade de atrair investimentos estruturantes capazes de transformar a economia nacional. Em vários momentos, o país pareceu mais reagir aos acontecimentos internacionais do que assumir um papel estratégico relevante na região africana e no mundo.
Há ainda um aspecto político importante: os governos não são avaliados apenas pelas intenções ou pelos discursos, mas sobretudo pelos resultados concretos que deixam na vida das pessoas. E é precisamente nesse ponto que o mandato de João Lourenço enfrenta as críticas mais severas.
A História tende a ser implacável com líderes que chegam ao poder cercados de esperança popular e terminam os seus ciclos deixando frustração social, dificuldades económicas persistentes e promessas incompletas. Muitos angolanos acreditam hoje que o país poderia ter avançado mais, aproveitado melhor os seus recursos e construído uma economia menos dependente e mais inclusiva.
Se nada de estrutural mudar até 2027, é provável que João Lourenço deixe o poder sem a marca histórica de grande reformador que inicialmente muitos lhe atribuíram. Ao invés disso, poderá ficar associado à imagem de uma liderança que recebeu uma oportunidade rara de redefinir Angola no pós-guerra, mas que acabou por não corresponder plenamente às expectativas nacionais.
A grande questão que ficará para a História será simples: como um país tão rico em recursos naturais continuou incapaz de transformar riqueza em prosperidade colectiva?
sexta-feira, 15 de maio de 2026
O Medo de deixar o PODER
Por Artur Cussendala, Sexta 15MAI2026
Em muitos países africanos, a alternância política continua a ser encarada não como um processo natural da democracia, mas como uma ameaça à sobrevivência política, económica e até pessoal dos próprios líderes.
A pergunta que muitos fazem é simples: por que razão tantos dirigentes africanos se apegam ao poder? A resposta, embora complexa, passa quase sempre pelo medo, sim, medo da vingança, da humilhação pública, da perseguição judicial e da destruição do legado político.
Quando um líder chega ao poder e transforma o seu antecessor no principal alvo político, cria-se um precedente perigoso. O novo governante procura consolidar autoridade culpando o passado por todos os males do presente. Os antigos aliados tornam-se inimigos visíveis; os críticos internos passam a ser tratados como sabotadores; e instala-se uma cultura de purga política permanente. Nesse ambiente, governar deixa de ser apenas administrar o Estado e passa a significar sobreviver politicamente.
O problema é que quem governa dessa forma acaba refém do próprio método que criou. O líder que humilhou o seu antecessor começa, inevitavelmente, a imaginar que sofrerá o mesmo destino quando abandonar o poder. Surge então a obsessão pela perpetuação e começa por alterar regras internas, controlar estruturas partidárias, enfraquecer adversários, fabricar consensos e neutralizar possíveis sucessores. Não porque o país dependa necessariamente dele, mas porque ele passa a acreditar que sua saída significará vulnerabilidade.
É exactamente neste ponto que muitos sistemas políticos africanos entram em crise silenciosa. A sucessão deixa de ser um exercício democrático saudável e transforma-se numa disputa de sobrevivência. O medo substitui a confiança institucional. Em vez de preparar novas lideranças, cria-se um ambiente onde ninguém consegue afirmar-se plenamente, porque qualquer figura emergente é vista como ameaça potencial.
Em Angola, os sinais deste fenómeno começam a tornar-se cada vez mais visíveis. O debate sobre a sucessão dentro do partido no poder já não é apenas uma questão partidária; tornou-se um tema nacional. Os candidatos ao cadeirão máximo enfrentam dificuldades evidentes para se afirmarem politicamente, não necessariamente por falta de capacidade, mas porque o sistema parece pouco disposto a permitir o surgimento de uma liderança autónoma e forte.
Quando um partido ou um Estado depende excessivamente da figura de um único homem, a própria sucessão transforma-se num problema estrutural. A ausência de renovação cria insegurança interna, alimenta disputas silenciosas e enfraquece a confiança popular nas instituições. E quanto mais tempo um líder permanece no centro absoluto do poder, maior tende a ser o receio daquilo que encontrará depois da saída.
Existe aqui uma lição política importante a reter: quem não respeita o legado dos outros dificilmente verá o seu legado respeitado no futuro. A política construída sobre humilhação, vingança e destruição de adversários produz inevitavelmente insegurança para quem governa. Afinal, o governante de hoje sabe que poderá tornar-se o perseguido de amanhã.
As democracias sólidas constroem-se justamente no contrário disso e na existência de instituições fortes, sucessões previsíveis, respeito pelos antigos dirigentes e convivência política civilizada. Quando o poder deixa de ser encarado como propriedade pessoal e passa a ser entendido como mandato temporário, o medo da saída diminui.
África não precisa de líderes eternos. Precisa de instituições duradouras. Porque nenhum país pode amadurecer politicamente enquanto os seus dirigentes continuarem a governar como homens cercados pelo medo de abandonar o trono.
SERÃO ELES?! ONDE ANDAM AS "BÓFIAS"?
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