O novo surto de xenofobia na África do Sul não pode ser tratado apenas como irracionalidade popular. Ele é, antes de tudo, o reflexo de um fracasso político profundo. Quando o Estado falha em garantir emprego, segurança económica e dignidade aos seus cidadãos, cria-se um ambiente onde a revolta social procura alvos e, quase sempre, esses alvos são os mais vulneráveis e no caso os estrangeiros.
É legítimo que qualquer nação coloque os seus cidadãos no centro das suas políticas públicas. Um país existe, em primeiro lugar, para servir o seu povo. Ignorar isso, em nome de discursos abstratos de integração, é negar a própria base da soberania nacional.
No entanto, é intelectualmente desonesto atribuir aos estrangeiros a responsabilidade pela crise. A presença de imigrantes em sectores económicos não acontece por acaso, acontece porque há falhas estruturais como a ausência de apoio ao empreendedor nacional, falta de acesso ao crédito, sistemas de formação ineficazes e uma economia incapaz de absorver a sua própria mão-de-obra.
Em Angola, o cenário não é diferente. A título de exemplo: a exploração do Petróleo é feita por norte-americanos ou franceses; o negócio grossista alimentar é feito por libaneses; os comércio de auto peças por nigerianos; o comércio realista por chineses e oeste africanos e até a venda de inertes e água, está na mão de chineses e cubanos. Cresce a percepção de que determinados sectores estão nas mãos de estrangeiros, enquanto muitos angolanos enfrentam desemprego e precariedade. Mas essa realidade não é fruto de uma “invasão económica” é consequência directa de políticas públicas frágeis e de um modelo económico que não prioriza, de forma efectiva, o cidadão nacional.
Defender que os estrangeiros e em especial os africanos contribuam para o desenvolvimento dos seus próprios países é uma posição legítima. Mas isso só será possível quando existirem Estados capazes de oferecer condições reais de vida, trabalho e progresso. Enquanto isso não acontecer, a migração continuará a ser uma válvula de escape inevitável.
A solução, portanto, não está na hostilidade nem na exclusão, mas na afirmação clara de três pilares, a saber:
- prioridade efectiva ao cidadão nacional nas políticas económicas;
- regulação firme e transparente da imigração;
- responsabilização política dos governos pela incapacidade de gerar oportunidades.
Sem isso, continuaremos a assistir ao mesmo ciclo, onde os Estados falham, populações revoltam-se, estrangeiros são culpados e nada de estrutural muda.
O governo angolano deveria adotar uma postura cautelosa, pois, actualmente, são os sul-africanos que recorrem à violência contra estrangeiros, mas amanhã tal fenômeno poderá afectar as cidades estrangeiros em Angola e angolanos de maneira trágica nas nossas pacatas cidades e vilas.
Artur Cussendala Quinta, 23ABR2026
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