sábado, 31 de janeiro de 2026

 


MINHA OPINIÃO SOBRE O FIM DO CONFLITO NA UCRÂNIA 


Há uma verdade que o discurso oficial insiste em esconder. A guerra na Ucrânia nunca foi apenas entre a Ucrânia e a Rússia. Desde o primeiro dia e que passei a reportar, sempre achei que trata-se de uma guerra de procuração, cuidadosamente arquitetada por Washington do velhote "João Bidon", onde os ucranianos forneceram o território, o sangue e a devastação, enquanto os Estados Unidos forneceram armas, inteligência e a agenda estratégica.

Se o ministro ucraniano das relações exteriores admite que Kiev assinará um plano de paz de 20 pontos com os EUA, enquanto Washington negoceia separadamente com Moscovo, excluindo a União Europeia, isso não é traição nem surpresa. É apenas a confirmação tardia de quem sempre mandou no conflito.

Vou tentar me explicar:

A Ucrânia não tinha autonomia real para iniciar a guerra com a Rússia, nem a tem agora para a encerrar. Foi empurrada para um confronto impossível de vencer, com a promessa ilusória de integração euro-atlântica e proteção total da NATO, promessas que nunca passaram de retórica útil. Agora, exaurida militarmente, esvaziada demograficamente e economicamente hipotecada por décadas, cancela a procuração, porque já não serve o objectivo inicial.

A Rússia, por seu lado, nunca combateu verdadeiramente a Ucrânia. Combateu a expansão da NATO, a humilhação estratégica pós-Guerra Fria e a presença americana nas suas fronteiras. Por isso, o interlocutor real de Moscovo sempre foi Washington e não Bruxelas, nem Kiev.

Quanto à União Europeia, o seu afastamento das assinaturas finais apenas confirma o óbvio, a Europa financiou a guerra, sofreu as consequências económicas e energéticas, mas não teve palavra estratégica. Reduzida a apêndice diplomático dos EUA, pagou caro por uma guerra que não controlou e que agora não consegue encerrar.

O eventual acordo não significará paz justa nem vitória moral. Será apenas o fecho pragmático de uma fase de confronto entre impérios, onde a Ucrânia foi usada como tampão geopolítico e descartada quando deixou de ser funcional.

Em termos crus, a Ucrânia não perdeu a guerra, foi consumida por ela.

E a Europa não foi derrotada, foi irrelevante.

Qual é a sua opinião?

Comente aí e não deixe de me seguir e compartilhar.


Artur Cussendala Quinta, 29JAN2026

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