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domingo, 31 de maio de 2026
A ÉBOLA...
Há cerca de dez anos, escrevi algo semelhante e retorno ao tema porque sinto profundamente que há uma força invisível por trás de certos fenômenos.
As explicações científicas mais aceites indicam que o Ébola e o Marburg são doenças zoonóticas, ou seja, vírus que passam de animais silvestres para seres humanos, especialmente através do contacto com morcegos frugívoros e outros animais infectados. No entanto, esta explicação levanta algumas questões que merecem reflexão.
Os povos africanos convivem há milhares de anos com a fauna e a flora do continente. A caça, o consumo de carne de animais selvagens e o contacto com ecossistemas naturais sempre fizeram parte da realidade de muitas comunidades. Se essa convivência existe desde tempos imemoriais, por que razão surtos tão devastadores parecem ganhar maior destaque apenas nas últimas décadas?
Com os avanços da biotecnologia e da engenharia genética, tornou-se tecnicamente possível manipular microrganismos em laboratório. Isso leva alguns observadores a questionarem se determinadas epidemias poderiam ter sido agravadas, modificadas ou mesmo exploradas por interesses geopolíticos, económicos ou militares.
A recorrência de surtos em regiões marcadas por pobreza, conflitos armados, instituições frágeis e reduzida capacidade de investigação científica alimenta suspeitas entre muitos africanos. Países como a República Democrática do Congo e, anteriormente, Angola durante a guerra civil, reuniam condições que dificultavam a verificação independente das origens e dos mecanismos de propagação dessas doenças.
Não se trata de afirmar categoricamente que o Ébola ou o Marburg sejam armas biológicas, mas de defender que todas as hipóteses relevantes devem ser investigadas com transparência, rigor científico e supervisão internacional. A história demonstra que programas secretos de investigação biológica já existiram em várias partes do mundo, razão pela qual o debate sobre biossegurança e a origem de determinadas epidemias não deve ser considerado ilegítimo ou encerrado prematuramente.
Num continente que tantas vezes serviu de palco para disputas geopolíticas externas, é compreensível que surjam dúvidas e desconfianças. Por isso, mais do que aceitar explicações prontas, os africanos devem exigir investigação independente, acesso à informação e total transparência sobre a origem e a evolução dessas doenças.
Artur Cussendala DOMINGO, 31MAI 2026
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