EU TAMBÉM SOU HOMEM E ESTOU COM O DIKOTA.
Antes de se condenar alguém na praça pública, é preciso separar moralismo, inveja e justiça. Pelos vídeos colocados a circular por pessoas de má-fé nas redes sociais, vêem-se mulheres adultas, sem sinais visíveis de coação ou violência, e até ao momento não existe qualquer denúncia formal de estupro ou abuso sexual.
O verdadeiro problema aqui parece ser a divulgação ilegal de conteúdos íntimos, expondo a privacidade de pessoas adultas. Transformar isso num tribunal popular apenas revela hipocrisia social e sede de escândalo.
Quanto ao local dos encontros, ainda que se trate de um gabinete ou de um espaço ligado a uma instituição, isso pode configurar, no máximo, uma infração administrativa ou ética interna, e não necessariamente um crime. E se for um espaço privado do visado, então entra-se no domínio da vida pessoal, onde cada adulto responde pelos seus actos e escolhas.
Vivemos numa sociedade onde muitos fingem santidade em público, mas fazem o contrário em privado. É preciso parar com o julgamento selectivo e com a cultura de humilhação pública. Respeitem o senhor e respeitem igualmente as mulheres envolvidas. Nem tudo o que choca os moralistas constitui crime.
Os hábitos e excessos das elites podem não agradar a todos, mas cada um deve analisar os factos com equilíbrio e maturidade, evitando condenações baseadas apenas em emoções, inveja ou preconceito.
Artur Cussendala - SÁBADO 23MAI 2026
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