sexta-feira, 6 de novembro de 2026

SERÁ QUE ESTÁ A ACONTECER ALGUMA COISA QUE OS CIDADÃOS NÃO SABEM?

Como sabem, sou reformado e, por razões que não precisam de grandes explicações, raramente me aventuro pela cidade. Por um lado, há o orçamento limitado e o custo de vida cada vez mais elevado em Luanda; por outro, encontrei no meu próprio bairro as condições de lazer de que necessito, dispensando deslocações desnecessárias. Entretanto, hoje tive de me deslocar ao bairro Palanca para tratar de alguns assuntos e fazer compras numa certa superfície comercial. O que encontrei pelo caminho deixou-me, no mínimo, perplexo: uma presença excessiva de efectivos da Polícia Nacional na via pública, com particular destaque para os agentes da fiscalização do trânsito. No percurso de ida e volta, sem qualquer exagero, contei mais de dez postos de operação policial e fui abordado em duas ocasiões distintas. Confesso que fiquei com algumas dúvidas: será esta concentração de efectivos uma medida normal para esta época do ano? Estará em curso alguma operação especial de que os cidadãos não foram devidamente informados? Ou será que estamos perante uma intensificação da fiscalização rodoviária, particularmente no que diz respeito às inspecções periódicas obrigatórias dos veículos? A última hipótese merece uma reflexão, sobretudo quando se considera a possibilidade de algumas destas operações se transformarem em oportunidades de negócio para determinados agentes menos escrupulosos. Digo isto porque, nas duas abordagens de que fui alvo, depois de apresentar a minha carta de condução e os documentos do veículo, nada mais me foi solicitado. Nem sequer o comprovativo do seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel. Felizmente, tenho a inspecção em dia e o respectivo selo afixado, mas a experiência deixou-me a questionar os verdadeiros objectivos de tantas operações. Afinal, qual é a finalidade desta presença policial tão expressiva? Prevenir a sinistralidade rodoviária? Fiscalizar o cumprimento das obrigações legais dos automobilistas? Reforçar a segurança pública? Ou simplesmente multiplicar os pontos de abordagem nas estradas? Não questiono a necessidade de fiscalização, muito menos a importância da presença policial. Pelo contrário, a segurança rodoviária e o cumprimento da lei são indispensáveis. O que questiono é a proporcionalidade, a transparência e, sobretudo, a eficácia destas operações. Uma operação policial não deve ser avaliada pelo número de agentes espalhados pela estrada, mas pelos resultados concretos que produz na segurança dos cidadãos e no cumprimento da lei. Se existe uma operação especial, que se informe a população. Se o objectivo é fiscalizar, que se fiscalize com critério, transparência e igualdade para todos. O cidadão não pode continuar a ser visto apenas como um potencial infractor ou uma oportunidade de cobrança na via pública. Fica a minha observação e a pergunta: estarei a interpretar mal o que vi hoje no percurso entre casa e o Palanca, ou também há outros cidadãos a questionar esta concentração policial nas nossas estradas? Artur Cussendala, 06NOV 2026

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Como sabem, sou reformado e, por razões que não precisam de grandes explicações, raramente me aventuro pela cidade. Por um lado, há o orçame...