quinta-feira, 17 de setembro de 2026

AGOSTINHO NETO, O HOMEM QUE FEZ DA ESPERANÇA UM DESTINO

Hoje, 17 de Setembro, Angola pára para lembrar um dos seus filhos mais ilustres, o Dr. António Agostinho Neto, médico, poeta, nacionalista, dirigente político e primeiro Presidente da República de Angola. Não é apenas uma data no calendário. É uma oportunidade para revisitar a história e perguntar o que seria Angola sem homens que, num determinado momento, tiveram a coragem de sonhar com uma pátria livre? Neto nasceu a 17 de Setembro de 1922, em Kaxicane, Icolo e Bengo. Estudou Medicina, em Lisboa, mas não se limitou a cuidar do corpo humano. A sua vida acabou por ser também uma tentativa de curar as feridas de uma sociedade submetida ao colonialismo. A sua actividade política levou-o à prisão e ao exílio, experiências que não o afastaram da causa nacionalista. Foi médico, mas também tratou da doença chamada colonialismo. Foi poeta, mas escreveu com a tinta da esperança. Foi político, mas entrou para a História sobretudo como homem que proclamou uma Nação. E é aqui que encontramos o seu maior feito. Na noite de 11 de Novembro de 1975, perante uma Angola mergulhada num dos momentos mais dramáticos da sua história, Agostinho Neto proclamou a Independência Nacional. Naquele instante, deixava de existir juridicamente a Angola colonial e nascia a Angola independente. Não foi um acto simples. A independência surgiu num contexto de guerra, confrontação política e forte internacionalização do conflito. Ainda assim, Neto assumiu a responsabilidade histórica de anunciar ao mundo que Angola era uma Nação soberana. É impossível compreender a importância de Agostinho Neto sem olhar também para o Poeta Maior. A sua poesia não nasceu do conforto. Muitas das suas palavras foram escritas em circunstâncias de prisão, perseguição e exílio. Em obras como “Sagrada Esperança”, a poesia transforma-se em memória, denúncia, identidade e esperança. Neto escreveu sobre a terra, sobre o povo, sobre a mãe, sobre a dor e sobre a liberdade. E talvez seja essa uma das maiores forças da sua obra já que ele não escreveu apenas sobre Angola; escreveu a partir da própria condição angolana. Como primeiro Presidente, coube-lhe ainda a difícil tarefa de dirigir os primeiros anos de uma República que acabava de nascer, num período marcado pela guerra e por enormes desafios internos e externos. A sua dimensão histórica ultrapassou, aliás, as fronteiras de Angola. A sua visão política estava ligada também à luta contra o colonialismo e contra o apartheid na África Austral, bem como ao apoio às causas de libertação da região. Mas homenagear Agostinho Neto não significa transformar a História numa fotografia sem sombras. Neto pertence à História, e a História deve ser estudada na sua totalidade e com os seus feitos, as suas escolhas, os seus acertos, os seus erros e as circunstâncias do seu tempo. Nenhum homem de Estado deve ser colocado acima da História. Mas também não devemos permitir que as controvérsias do presente apaguem os feitos de quem ajudou a construir o caminho que nos trouxe até à Angola independente. Hoje, quando muitos de nós já nascidos depois da independência, talvez seja difícil imaginar o significado que teve, para uma geração inteira, ouvir a palavra liberdade pronunciada em nome de uma Nação que acabava de nascer. Para quem viveu aquele momento, não foi apenas política. Foi o nascimento de um país. E é por isso que, 47 anos depois da sua morte, Agostinho Neto continua presente na memória colectiva dos angolanos. Morreu em Moscovo, a 10 de Setembro de 1979, poucos dias antes de completar 57 anos. Mas a morte encerrou a vida do homem; não encerrou o debate sobre o seu legado. Hoje, 17 de Setembro, quando Angola celebra o Dia do Fundador da Nação e do Herói Nacional, mais do que repetir frases feitas, devemos lembrar o essencial: Neto ajudou a transformar o sonho de uma Angola livre numa realidade política. E talvez seja essa a melhor forma de o homenagear e não apenas colocando flores diante dos seus monumentos, mas estudando a sua obra, conhecendo a sua história, lendo a sua poesia e perguntando-nos, enquanto angolanos, que país estamos a construir com a independência que ele e tantos outros ajudaram a conquistar. Agostinho Neto pertence à História de Angola. E a História não se apaga. Viva Angola. Honra à memória dos que lutaram pela Independência Nacional. Honra ao Fundador da Nação e Herói Nacional, Dr. António Agostinho Neto. Artur Cussendala Quinta, 17SET 2026 https://mbondochape.blogspot.com/?m=1

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