Começaram hoje as eleições presidenciais em Portugal e eu apoio um candidato e explico as razões:
Gostaria de ver André Ventura como Presidente de Portugal por uma razão essencialmente política e estratégica. Ventura representa, goste-se ou não, uma ruptura com o consenso europeu instalado, aproximando-se do perfil de um “mini-Trump” europeu: populista, confrontacional e avesso às ortodoxias de Bruxelas.
No plano internacional, a sua postura céptica em relação à guerra na Ucrânia contrasta com a submissão automática de grande parte da elite política europeia aos interesses da NATO e dos Estados Unidos. Um Presidente português menos alinhado com essa lógica belicista poderia contribuir para uma Europa mais pragmática, menos ideológica e menos disposta a sacrificar os seus próprios interesses económicos e sociais em conflitos que não controla.
Mas há um ponto ainda mais relevante para Angola. Um Ventura em Belém dificultaria seriamente a vida aos corruptos angolanos que usam Portugal como refúgio seguro para capitais de origem duvidosa. Durante anos, Portugal foi tratado como uma extensão offshore de Angola, onde dinheiro público desviado encontrava portas abertas, cumplicidades políticas e silêncio institucional.
Um presidente com discurso duro contra corrupção, imigração selectiva e lavagem de capitais teria pouco interesse em manter esse pacto tácito de conveniência. Isso obrigaria as elites angolanas a repensarem a exportação do nosso dinheiro para Lisboa e, quem sabe, a encarar com mais seriedade a necessidade de investir em Angola, onde esse capital faz realmente falta.
Em suma, André Ventura não seria uma solução milagrosa nem um democrata clássico, mas poderia funcionar como um factor de perturbação útil: para Portugal, ao romper com a hipocrisia política instalada; e para Angola, ao fechar uma porta que durante demasiado tempo esteve escancarada para a fuga de recursos e responsabilidades.
Artur Cussendala Domingo, 11JAN2026

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