sábado, 17 de janeiro de 2026

O Paradoxo da Groenlândia e o Eclipse da Aliança Transatlântica


Há alguns dias venho refletindo sobre a condensação de ideias a respeito do atual problema entre os parceiros da NATO. Contudo, asseguro que não se trata de um tema de fácil abordagem. Entretanto, esforçar-me-ei para tentar.



Por Artur Cussendala QUINTA, 15JAN2025


O cenário internacional enfrenta uma deriva inquietante que é a possibilidade de um impasse estratégico entre aliados históricos, não motivado por potências externas como a Rússia ou a China, mas pela posse e influência sobre a Groenlândia. De um lado, a Europa e a Dinamarca defendem a integridade territorial; do outro, os Estados Unidos — o outrora arquiteto da ordem liberal — parecem dispostos a redefinir as regras do jogo sob a égide do "interesse nacional primeiro".


​A Armadilha da Dependência Estrutural


​O paradoxo europeu nunca foi tão exposto. Embora a Europa seja uma potência económica, a sua arquitetura de segurança é, na prática, um "franchise" norte-americano.


​Vulnerabilidade Técnica


A dependência de sistemas de satélites (GPS), software de combate e logística de defesa cria uma soberania limitada.

​O "Botão de Desligar": Washington detém, teoricamente, a capacidade de neutralizar a eficácia militar europeia sem disparar um único tiro, apenas através de restrições técnicas ou diplomáticas. Esta assimetria é o trunfo que figuras como Donald Trump utilizam para transformar a NATO de uma aliança de valores numa transação comercial de proteção.


​A Erosão do Direito Internacional


​Uma acção coerciva dos EUA sobre a soberania de um aliado europeu (neste caso, o Reino da Dinamarca) criaria uma rutura sistémica.

​Se as normas internacionais passarem a ser aplicadas de forma selectiva pela própria potência que as instituiu, o Direito Internacional deixa de ser uma bússola para se tornar uma mera sugestão.

​Isto enviaria uma mensagem clara ao mundo de que a soberania é um privilégio dos fortes e não um direito dos Estados. A queda deste "dominó" jurídico invalidaria décadas de diplomacia pós-1945.

A Ameaça Interna

​A conclusão é inevitável e irónica: a maior ameaça à estabilidade do Ocidente pode já não residir na "agressividade" de Moscovo ou Pequim, mas na erosão interna das suas próprias alianças. Se a Groenlândia se tornar o pomo da discórdia, a NATO deixará de ser um escudo contra inimigos externos para se tornar o cenário de uma implosão interna.


E ainda bem que a Rússia ficou forte novamente pois este seria um precedente perigoso para as noções africanas que de um tempo a esta têm desafiado o ex-colonizador como no SAHEL. 


Quero saber o que 🫵 pensa a respeito.

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