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elensky não manda nada nisso. Quem acredita que um presidente que vive de ajudas externas decide, por iniciativa própria, atacar simbolicamente a casa de Vladimir Putin, ou é ingénuo ou faz de conta que não percebe como funciona o poder real. Este tipo de operação não está ao alcance de uma marioneta útil. É coisa de gente grande, de Estados que mandam, de serviços secretos com décadas de experiência em operações sujas.
Tudo aponta para uma jogada ocidental para rebentar qualquer hipótese de negociação que não passe por eles. Quando as conversas começam a ganhar corpo fora do controlo de Washington, Londres ou Bruxelas, aparece sempre uma provocação “misteriosa”. Não é coincidência, é método. Guerra também é isso: empurrar o adversário para uma reacção irracional e depois posar de vítima.
Os drones até podem ter sido abatidos e nunca se provar oficialmente que o alvo era a residência do presidente russo, mas a mensagem foi entregue. E no Kremlin mensagens dessas não se ignoram. A Rússia não esquece, não perdoa e responde sempre. O problema é que a resposta raramente atinge quem provocou. Os verdadeiros autores estão bem sentados nas suas capitais europeias, protegidos por protocolos e bunkers, enquanto quem vai pagar a factura são os civis ucranianos.
No fim das contas, esta guerra deixou de ser sobre a Ucrânia há muito tempo. O país é apenas o campo de batalha onde potências disputam influência, testam armas e acertam contas antigas. Zelensky é o rosto do conflito, mas não é o cérebro. E quando a vingança russa vier — porque virá — não será cirúrgica nem pedagógica. Será brutal. E, como sempre, os inocentes ficarão no meio do fogo cruzado, enquanto os verdadeiros responsáveis continuam longe, intocáveis e a discursar sobre democracia.
Artur Cussendala
Terça, 30DEZ2025

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