Descreve Angola na adversidade e no plural, suas gentes, hábitos e costumes e não só. Sem filosofar e sem estrias nem sofismas, aqui você acompanha Angola e os angolanos no seu melhor.
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
O MEU DESABAFO DE HÁ ANOS
O angolano habituou-se a sobreviver nas mais adversas condições de vida. De tanto conviver com a privação, acabou por banalizar a falta do básico e, pior ainda, por agradecer como se fosse uma dádiva aquilo que deveria ser um direito. Há quem se conforme com a miséria, desde que, de vez em quando, ela lhe caia no prato. Eu não!
Comigo é diferente. Não consigo normalizar o que é inaceitável, muito menos ficar calado perante a incompetência, a negligência e a falta de responsabilidade dos servidores públicos que parecem ter-se esquecido de que governam para os cidadãos e não para os seus próprios interesses. E, perante tanta incompetência, mando uns bem estendidos «fdp» a quem merece ouvi-los!
É absolutamente incompreensível que, sendo praticamente vizinhos de urbanizações modernas como o Nova Vida, Jardim do Éden, Talatona, Bem Morar e tantas outras, onde existem infra-estruturas e condições que deveriam servir de referência ao desenvolvimento urbano, continuemos a viver privados de serviços tão elementares como água potável, energia eléctrica e contentores para a deposição do lixo. Como se isso não bastasse, temos ainda buracos nas estradas, águas estagnadas e vias de acesso que mais parecem caminhos abandonados à sua sorte.
O mais revoltante é perceber que esta realidade persiste a poucos metros de zonas urbanizadas, algumas com habitações prontas e até desabitadas, enquanto nós continuamos a lutar diariamente pelo acesso ao mínimo indispensável para uma vida digna.
Meus senhores, a cidadania não termina onde acaba o asfalto! Os impostos não são pagos exclusivamente por quem vive nas urbanizações de luxo, e os votos não pertencem apenas aos moradores dos bairros privilegiados. Nós também pagamos impostos, também somos cidadãos e também votámos.
FdP's, entendam de uma vez por todas: não somos cidadãos de segunda categoria! Não exigimos privilégios, exigimos direitos. Água, luz, saneamento básico e vias de acesso dignas não são favores de quem governa. São obrigações de quem foi eleito para servir o povo.
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