sábado, 17 de janeiro de 2026

A MORIMBUNDA UNIÃO AFRICANA



Por: Artur Cussendala Segunda, 05JAN2026


O mundo está em plena convulsão, com guerras, sanções e disputas abertas pelo controlo do poder global. Ainda assim, a União Africana permanece muda, paralisada, como se nada de relevante estivesse a acontecer. Perante a transformação acelerada da ordem internacional, a África continua sem voz própria, sem linha estratégica e sem capacidade de se afirmar como sujeito da História.

A União Europeia, por sua vez, refugia-se no discurso da “ditadura de Maduro” para evitar enfrentar o essencial: a sua dependência estrutural dos Estados Unidos. Não é uma questão de valores democráticos, mas de medo político e subserviência estratégica. A UE fala em princípios, mas age por alinhamento automático, mesmo quando isso contraria os seus próprios interesses económicos, energéticos e geopolíticos.

A posição africana é ainda mais preocupante: a da indefinição crónica.

No Sahel, países como Mali, Burkina Faso e Níger romperam com a tutela francesa não por ideologia, mas por cansaço. Décadas de presença militar ocidental não trouxeram segurança nem desenvolvimento. O espaço deixado foi rapidamente ocupado por novos actores, como a Rússia, não por afinidade, mas por pragmatismo. A União Africana, entretanto, limitou-se a comunicados formais, sem apresentar uma alternativa africana para a segurança regional.

Na Líbia, a destruição do Estado é consequência directa da intervenção da NATO em 2011. Desde então, o país transformou-se num campo de disputa entre potências estrangeiras como a Turquia, Rússia, Emirados, França, enquanto a África observa a sua própria região mergulhar no caos, sem capacidade de impor uma solução africana para um problema africano.

No Sudão, o conflito entre facções militares empurrou o país para um colapso humanitário grave, com impactos directos sobre o Corno de África e o Mar Vermelho. Mais uma vez, a mediação com algum peso veio de fora do continente, enquanto a União Africana ficou reduzida ao papel de espectadora.

Na República Democrática do Congo, uma das regiões mais ricas do mundo em recursos estratégicos como o cobalto, coltan e terras raras, o Estado continua frágil e o conflito permanente. Potências globais disputam silenciosamente o controlo das matérias-primas essenciais à economia do futuro, enquanto a África falha em transformar a sua riqueza natural em soberania económica e industrial.

Mesmo países relativamente estáveis, como Angola, continuamos excessivamente dependentes das flutuações externas — petróleo, financiamento internacional, decisões tomadas fora do continente — sem uma estratégia africana comum que proteja interesses colectivos num mundo cada vez mais multipolar.

O problema não é a falta de recursos, nem de população, nem de importância geopolítica. O problema é político. A União Africana não funciona como um bloco de poder, mas como uma estrutura burocrática sem capacidade de decisão real. Não define prioridades estratégicas, não consolida alianças, não estabelece linhas vermelhas.

A chamada “neutralidade africana” não é estratégia; é omissão.

Num mundo onde todos disputam espaço, influência e controlo de recursos, quem não se posiciona acaba posicionado por outros. A África corre o risco de repetir o seu papel histórico: palco de disputas alheias, nunca autora do seu próprio destino.

A questão já não é se a África pode definir o seu lugar no mundo. Pode. A verdadeira questão é até quando continuará a adiar essa decisão — e qual será o custo desse adiamento para as próximas gerações.

 Começaram hoje as eleições presidenciais em Portugal e eu apoio um candidato e explico as razões:



Gostaria de ver André Ventura como Presidente de Portugal por uma razão essencialmente política e estratégica. Ventura representa, goste-se ou não, uma ruptura com o consenso europeu instalado, aproximando-se do perfil de um “mini-Trump” europeu: populista, confrontacional e avesso às ortodoxias de Bruxelas.

No plano internacional, a sua postura céptica em relação à guerra na Ucrânia contrasta com a submissão automática de grande parte da elite política europeia aos interesses da NATO e dos Estados Unidos. Um Presidente português menos alinhado com essa lógica belicista poderia contribuir para uma Europa mais pragmática, menos ideológica e menos disposta a sacrificar os seus próprios interesses económicos e sociais em conflitos que não controla.

Mas há um ponto ainda mais relevante para Angola. Um Ventura em Belém dificultaria seriamente a vida aos corruptos angolanos que usam Portugal como refúgio seguro para capitais de origem duvidosa. Durante anos, Portugal foi tratado como uma extensão offshore de Angola, onde dinheiro público desviado encontrava portas abertas, cumplicidades políticas e silêncio institucional.

Um presidente com discurso duro contra corrupção, imigração selectiva e lavagem de capitais teria pouco interesse em manter esse pacto tácito de conveniência. Isso obrigaria as elites angolanas a repensarem a exportação do nosso dinheiro para Lisboa e, quem sabe, a encarar com mais seriedade a necessidade de investir em Angola, onde esse capital faz realmente falta.

Em suma, André Ventura não seria uma solução milagrosa nem um democrata clássico, mas poderia funcionar como um factor de perturbação útil: para Portugal, ao romper com a hipocrisia política instalada; e para Angola, ao fechar uma porta que durante demasiado tempo esteve escancarada para a fuga de recursos e responsabilidades.


Artur Cussendala  Domingo, 11JAN2026

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 ELEIÇÕES E DEMOCRACIA EM ANGOLA


Às vezes dou por mim a conversar comigo mesmo, a perguntar se Angola chegará a ter, um dia, eleições que mereçam ser chamadas de livres, transparentes e justas e não apenas “processos eleitorais” embalados em conferências de imprensa e estatísticas duvidosas.


E a minha preocupação é simples: como é que se fala em democracia quando a oposição, na prática, existe apenas de Viana para cá? Fora de Luanda, tirando duas ou três excepções heroicas, o que chamam de implantação partidária resume-se a um mastro com bandeira plantado na berma da estrada — bandeira esta que às vezes nem militante tem para vigiar. É quase decoração de paisagem, não presença política.

Enquanto isso, o MPLA desfila pelo país inteiro com recursos que parecem brotar de uma fonte inesgotável. Dinheiro? Há para oferecer. Militantes? Contam-se aos milhões, quase como se fossem produto de fábrica em linha de montagem. Depois dizem que é “força do povo”, eu diria que é, acima de tudo, força do tesouro.

E então surge a pergunta, tão inocente quanto irónica: se dinheiro é poder e militantes são votos, como é que qualquer oposição pretende vencer um adversário que joga com armas nucleares enquanto os outros ainda discutem quem traz a catana?

Fala-se de alternância, mas a verdade é que estamos num campeonato onde um dos concorrentes controla o estádio, o cronómetro, o árbitro, o VAR e ainda vende as camisolas da equipa adversária. Depois, claro, anunciam que ganhou com “vitória retumbante”. Surpresa? Nenhuma.

E é por isso que, às vezes, volto ao meu diálogo interno e repito a mesma pergunta: será que um dia teremos eleições realmente livres em Angola, ou continuaremos a assistir a este teatro político onde só muda o pano de fundo e a história é sempre a mesma?

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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

 Resenha pessoal dos 50 anos da Independência de Angola

Por: Artur Cussendala 12NOV2025

Posso estar equivocado mas cinco décadas depois da proclamação da independência, Angola é, sem dúvida, um país soberano, com fronteiras reconhecidas e uma presença consolidada na comunidade internacional. No entanto, esta soberania, conquistada com tanto sacrifício, ainda não se traduziu plenamente em bem-estar e desenvolvimento para o seu povo. Temos um país, sim mas com uma soberania ainda incompleta em muitos aspectos internos.

Politicamente, regredimos em vários pontos. O sistema multipartidário é mais formal do que real: existe um partido hegemónico que concentra o poder político e económico, enquanto um ou dois partidos contestatários fazem o papel de uma oposição simbólica, quase decorativa. Com o fim do conflito armado, onde uma das partes saiu vitoriosa, consolidou-se uma estrutura de poder altamente centralizada, que controla o aparelho do Estado, os recursos e as oportunidades.

Em meio século, o país atravessou dois regimes distintos: o monopartidarismo de inspiração socialista e o multipartidarismo de pendor capitalista. Nenhum deles, porém, conseguiu estabelecer um sistema verdadeiramente democrático e inclusivo. A alternância de poder continua a ser uma miragem, e o Estado ainda se confunde com o partido dominante.

No sector da saúde, houve progressos inegáveis desde o fim da guerra, sobretudo no sector privado, onde a qualidade dos serviços melhorou consideravelmente. Mas o sistema público continua frágil, ineficiente e sobrecarregado, apesar dos investimentos em formação e infraestrutura.

Na educação, a situação é igualmente preocupante. A expansão quantitativa não veio acompanhada de qualidade. As políticas educacionais são inconsistentes e carecem de uma visão de longo prazo. O resultado é uma geração com mais diplomas, mas com menos conhecimento e capacidade crítica.

A economia, outrora vibrante com a produção petrolífera que chegou a atingir quase dois milhões de barris por dia, encontra-se hoje estagnada. A ausência de investimento no sector reduziu a produção a menos de metade, e o sector não petrolífero, embora com ligeiros avanços, continua débil e pouco competitivo. O país não conseguiu diversificar verdadeiramente a sua base produtiva.

Na defesa e segurança, o panorama é desanimador. Se o que vimos no desfile oficial do 50⁰ aniversário representa o auge da nossa capacidade militar, então ficámos parados no tempo. À parte alguns drones e peças de artilharia autopropulsada, as forças armadas e policiais continuam mal equipadas, carecem de meios básicos como coletes balísticos por exemplo e parecem tecnologicamente ultrapassadas. O investimento visível concentra-se nas forças de intervenção rápida e de choque, quando o essencial seria modernizar as unidades regulares e garantir a segurança das fronteiras, que permanecem porosas como nunca.

Os órgãos de inteligência e controlo do Estado tornaram-se meros nomes sem função visível. A corrupção generalizada e o desvio de fundos públicos cresceram de forma alarmante, sem que se veja uma resposta eficaz ou dissuasora. Em 50 anos, talvez nunca se tenha roubado tanto e com tamanha impunidade.

A burocracia, em vez de diminuir, parece ter aumentado, sufocando o empreendedorismo e desmotivando a iniciativa privada. A renda das famílias caiu drasticamente, a classe média praticamente desapareceu, e a pobreza voltou a atingir níveis preocupantes, mesmo nas cidades.


Chegamos, pois, aos 50 anos da independência com mais perguntas do que respostas. Continuamos a ser um país de potencial imenso, mas de realizações tímidas. A independência foi conquistada; falta conquistar o progresso, a justiça social e a dignidade plena para todos os angolanos.


QUAL É A SUA OPINIÃO?

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Homenagear Jonas Savimbi é ofender as vítimas da guerra

Homenagear Jonas Malheiro Savimbi como herói nacional é um insulto à memória das vítimas da guerra civil angolana. É negar a dor de milhares de famílias destruídas, é transformar um símbolo de violência num modelo de virtude, e é, sobretudo, deturpar a verdade histórica de um país que ainda não cicatrizou as feridas do seu próprio passado.

Ao contrário do que muitos procuram fazer crer, Jonas Savimbi não foi um libertador.
Durante o período da luta anticolonial, ele não combateu o colonialismo português mas sim os seus próprios compatriotas.
Formado e recrutado pela PIDE-DGS, a polícia política do regime salazarista, Savimbi tornou-se instrumento de divisão interna, sabotando a unidade entre os movimentos de libertação.
Enquanto o MPLA, o FNLA e outros combatentes sacrificavam vidas para expulsar o colonizador, Savimbi travava uma guerra paralela, uma guerra de ambição pessoal e de manipulação externa.
A sua passagem pela Frente Leste, o contacto com serviços secretos portugueses e o apoio indirecto que recebeu durante o período colonial evidenciam que Savimbi não nasceu da resistência mas da estratégia portuguesa de infiltrar e desarticular a luta pela independência.
Ele foi, em essência, um produto do colonialismo que, mais tarde, se reinventou como nacionalista para capitalizar o discurso da libertação em Alvor.
Depois da independência, em 1975, mostrou o seu verdadeiro rosto, de um homem obcecado pelo poder, que preferiu incendiar o país a aceitar o papel de opositor político legítimo.
Transformou a UNITA numa força de destruição, sustentada por potências estrangeiras - primeiro pela África do Sul do apartheid e, depois, pelos Estados Unidos em plena Guerra Fria.
A sua ambição mergulhou Angola em décadas de sofrimento, com massacres de civis, execuções sumárias, raptos, trabalho forçado e o uso sistemático de minas terrestres que ainda hoje mutilam inocentes.
Homenagear Jonas Savimbi é, portanto, reabrir feridas antigas e humilhar as vítimas da sua violência.
É dizer ao povo que a destruição pode ser heroísmo, e que a ambição de um homem vale mais do que a dor de uma nação inteira.
Um país que procura a reconciliação verdadeira não pode colocar no mesmo pedestal os que lutaram pela libertação e os que combateram a libertação.
Reconhecer o papel histórico de Savimbi é necessário mas glorificá-lo é deturpar a história.
A verdade é que ele não libertou Angola; pelo contrário, atrasou o sonho de independência e condenou gerações inteiras a viver sob a sombra da guerra.
A reconciliação não se constrói sobre mentiras políticas, mas sobre memória, justiça e verdade.
Se Angola quiser realmente honrar o seu passado, deve erguer monumentos às vítimas da guerra, não aos seus autores.
O país precisa de memoriais que contem a história dos que sofreram e não dos que fizeram sofrer.
A paz não se consolida com homenagens a quem semeou o ódio, mas com respeito aos que, silenciosamente, suportaram o peso da tragédia.
É preciso coragem moral e intelectual para dizer o que muitos tentam esconder:
Jonas Savimbi não foi libertador, foi divisionista. Não foi herói, foi responsável por um dos capítulos mais sombrios da nossa história.
O verdadeiro herói é o povo angolano que sobreviveu à guerra, à fome, às minas, à perda e ao esquecimento.
Homenagear Savimbi é ofender esse povo.

sábado, 1 de novembro de 2025

Valdir Cônego e o desafio da maturidade política no MPLA

Quinta-feira 31OUT2025

Nem sei como iniciar essa reflexão mas a julgar pelo comportamento e pelas declarações recentes de Valdir Cônego, é plausível admitir que o jovem dirigente possa atravessar um período de instabilidade psíquica que afecta a sua percepção e a forma como interage com a realidade. Diante dessa situação sensível, seria desejável que o MPLA, em vez de recorrer a medidas de carácter punitivo, como a expulsão, adoptasse uma postura mais humana e institucionalmente madura.
Um partido com a dimensão histórica e responsabilidade política do MPLA poderia demonstrar grandeza ao encaminhar Valdir Cônego para acompanhamento médico e psicológico adequado, procurando compreender as causas subjacentes do seu comportamento, em vez de simplesmente o descartar. Tal atitude revelaria não apenas sensibilidade social, mas também inteligência política, ao reconhecer que a saúde mental é um tema que merece atenção, sobretudo em figuras públicas submetidas a forte pressão.
As atitudes recentes de Valdir Cônego evocam, em certa medida, o caso de Carlos Contreiras, do extinto Partido Republicano de Angola (PREA), cuja actuação, em determinados momentos, também parecia distanciar-se da racionalidade política convencional. Ambos os casos sugerem que, por vezes, a fronteira entre convicção e delírio pode ser ténue, exigindo prudência e empatia por parte das instituições partidárias.
Em suma, proceder com expurgos automáticos pouco contribui para a imagem e a coesão interna de um partido do peso do MPLA. Pelo contrário, uma resposta pautada pela compreensão e pelo amparo seria o verdadeiro sinal de maturidade política e de compromisso com os valores humanos que deveriam sustentar qualquer organização com vocação de poder.
Se até Savimbi perdoaram e vão condecorar ao invés de o condenar, como acreditar na V/seriedade e sensatez???!!!

Estrangeiros nas manifestações da oposição em Angola é a nova face do oportunismo migratório.

VOCÊ SABIA DISSO?

Nos últimos anos, as manifestações organizadas por grupos da oposição em Angola têm atraído não apenas cidadãos nacionais, mas também um número crescente de estrangeiros, sobretudo oriundos da vizinha República Democrática do Congo. À primeira vista, trata-se apenas de um reflexo da convivência transfronteiriça entre povos que partilham laços étnico-linguísticos e circuitos económicos. Contudo, análises mais atentas apontam para uma motivação menos inocente que é a utilização dessas manifestações como meio estratégico para a obtenção de asilo político no estrangeiro.
Segundo relatos recolhidos por mim locais, há cidadãos estrangeiros que participam deliberadamente em protestos de natureza política em território angolano, com o objectivo de serem fotografados ou filmados entre manifestantes. Essas imagens são, depois, apresentadas a autoridades migratórias de países ocidentais como suposta prova de perseguição política em Angola. Em alguns casos, a posse de documentação angolana, muitas vezes obtida com relativa facilidade, serve para reforçar a credibilidade da narrativa perante as instituições estrangeiras.
Este fenómeno, enquadra-se no que especialistas denominam “performatividade do exílio” que não é mais do que a encenação de papéis políticos ou identitários como estratégia de sobrevivência e mobilidade social. Em contextos africanos onde as fronteiras são porosas e os sistemas de identificação continuam frágeis, torna-se difícil distinguir entre o refugiado autêntico e o oportunista que manipula causas e símbolos políticos para fins pessoais.
Do ponto de vista político, as implicações são profundas.
Em primeiro lugar, descredibiliza as manifestações legítimas da oposição, permitindo que o poder utilize o argumento da “infiltração estrangeira” para desacreditar vozes internas de contestação.
Em segundo, fragiliza a segurança dos verdadeiros activistas, pois as forças de ordem tendem a generalizar suspeitas e a reprimir de forma preventiva.
Em terceiro, prejudica a credibilidade dos pedidos de asilo legítimos, já que os abusos repetidos acabam por gerar desconfiança nas instituições internacionais.
Há ainda um impacto simbólico que não pode ser ignorado: o uso indevido da bandeira nacional e de ícones políticos angolanos por indivíduos que não partilham a história nem o sofrimento do povo angolano constitui uma forma subtil de apropriação identitária. Essa apropriação não é apenas política, mas também mediática, pois a circulação de imagens nas redes sociais globaliza o engano e confunde as narrativas sobre Angola no exterior.
É imperativo que as autoridades angolanas reforcem os mecanismos de verificação documental, sem comprometer os direitos e liberdades cívicas. A imprensa, por seu turno, deve assumir um papel fiscalizador e responsável, verificando a origem das imagens e evitando generalizações que possam alimentar discursos xenófobos ou justificar repressão. A sociedade civil precisa, com urgência, de aprofundar o estudo destas práticas, de modo a proteger tanto a integridade das lutas políticas internas quanto a credibilidade internacional do país.
Mais do que uma simples fraude migratória, o uso indevido das manifestações políticas em Angola expõe um problema mais profundo: o modo como a fragilidade estrutural do Estado e a exposição mediática das suas tensões internas se transformam em matéria-prima para narrativas fabricadas. A verdade é que, no século XXI, a política e o exílio tornaram-se também performances encenadas diante das câmaras, partilhadas nas redes e convertidas em estatutos legais.

MONUMENTO ÀS VÍTIMAS DOS CONFLITOS ARMADOS EM ANGOLA: HOMENAGEAR AS VÍTIMAS, NÃO OS CARRASCOS!

Há pessoas sem noção da História e, pior ainda, com propostas que revelam uma preocupante inversão de valores. Como é possível propor que s...